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sobre o amor.

16/04/2011
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“Cartas de amor costumam ser bem egoístas. Quanto mais sinceras, mais egoístas. Se eu fosse escrever uma hoje, usaria todo meu egoísmo. Como diz o Skank, na sequência bem clichê – Eu preciso de você. Ou o Jota Quest que não economiza em clichês – Hoje eu preciso de você de qualquer jeito. Sem você não sei viver. Eu não sei. Eu não posso.
Eu quero, eu sinto, eu desejo você para resolver meu problema, pois com você eu me sinto melhor. Eu, portanto, estou no centro e te preciso em forma e função, para mim. Desta maneira desenvolvemos o amor na maioria de nossos relacionamentos.

Acredito, porém, que um dos maiores ensinamentos que podemos levar desta vida é sobre o amor verdadeiro, o amor que é amar. Amar a ponto de não dizer, amar a ponto de entender como Zé Ramalho entendeu, que o único sinônimo de amor é amar, hahaha! Amor só existe em ação e movimento, e não resiste a teorias e teses. Não tenho o direito de dizer que te amo, se não te acompanho, se não choro contigo, se não divido contigo. Neste caso o máximo que posso te dizer é que, provavelmente, eu poderia te amar.

Em um dos diálogos mais importantes relatado nos Evangelhos, Jesus pergunta a Pedro – Tu me amas? – Sim, mestre! – responde Pedro prontamente. – Tu sabes que eu te amo. Jesus então pede – Apascenta minhas ovelhas. Por mais duas vezes Jesus repete a mesma pergunta ao seu discípulo que acabara de lhe negar três vezes. Mas, ao contrário do que se pode imaginar, Jesus não estava iniciando uma retaliação. Ele não estava ferido por Pedro negá-lo. Jesus acabara de se sacrificar pelo mundo, sua preocupação não era com sua dor, com sua honra ou orgulho. Sua atenção estava voltada para Pedro, Ele estava curando-o, pois suas próprias feridas já estavam cicatrizadas. Curando a Pedro, não para que o pescador vivesse uma vida e amor egoísta, mas para que este pequeno homem pudesse ser o canal pelo qual a ferida de muitos fossem curadas. Aleluia!

Não havia naquele diálogo o amor egoísta das cartas e canções de amor, mas o amor simples, mas ao mesmo tempo profundamente verdadeiro, amor que é amar, se doar, se lançar no meio da voragem. Amor raro de se encontrar nas igrejas cristãs contemporâneas, onde Cristo e sua mensagem transformaram-se em forma e função ao serviço de clientes vorazes por resultados e soluções. Amor de cristãos apaixonados por Cristo, loucos por Cristo, mas que o querem só pra si e para suas necessidades. O amor enclausurado dos casais apaixonados, inundado de carinho, mas também sobrecarregado de ciúmes e egocentrismo.

Se Pedro foi o início, a pedra fundamental desta grande construção chamada Igreja Cristã, sem sombra de dúvidas a pergunta de Cristo continua ecoando por séculos e séculos, sendo sussurrada no ouvido de todo cristão autêntico. – Felipe Araujo, tu me amas? – Sim mestre, tu sabes que eu te amo! – Então, mova-se e apascenta meus cordeiros, faça o seu trabalho, distribua o meu amor.”

(Texto de Felipe Araujo)

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